segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Os sindicatos da classe trabalhadora?

Há aproximadamente um ano e meio, mas especificamente desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), por conseguinte, da posse do atual presidente Michel Temer (PMDB) até os dias atuais e as longas discussões sobre as "reformas" do atual governo, vim fazendo análises das mobilizações sociais que são convocadas pelas instituições sindicais do nosso país, na cidade do Recife e Região Metropolitana. Achei interessante nos recentes "protestos" aqui em Pernambuco, como esses grandes sindicatos dos trabalhadores e os principais partidos de oposição ao atual governo financiam tais mobilizações sociais, sempre levantando pautas contra as políticas que o presidente efetivara ao longo do seus quase dois anos de mandato, como a Reforma Trabalhista e a Reforma do Ensino Médio, ambas aprovadas pelo Congresso e Senado; e a atual discussão sobre a Reforma da Previdência que Michel Temer tenta aprovar no Congresso Nacional.
O questionamento que surge é: Tais financiamentos destes sindicatos e partidos são em prol de quê? Ou melhor questionando, será mesmo que essas instituições estão em luta pela classe trabalhadora, pela classe desempregada (número que em 2017 chegou a 13,4 milhões de pessoas. FONTE: IBGE) e pela classe assalariada (número que compõem mais da metade da população brasileira. FONTE: IBGE)?

Até o presado momento, nesses "protestos" que essas instituições vêm organizando, aqui na cidade do Recife e Região Metropolitana, eu não pude acompanhar a classe executiva ou o "alto escalão" dos grande sindicatos e do grandes partidos brasileiros nas ruas com os cidadãos. Tais instituições propagam um discurso de que os trabalhadores e muito mais que isso, os cidadãos brasileiros, precisam ir às ruas para "lutar contra as reformas e contra o atual governo do Michel Temer", mas o que vejo são "indivíduos" que se mantém privilegiados as custas dos trabalhadores, que por sinal, pagam altas taxas para estes sindicatos. Tais cidadãos quem compõem essas instituições mobilizam-se e financiam uma pequena parcela da população para os atos, enquanto eles próprios ficam sentados em seus escritórios na maioria dos casos, se beneficiando das notícias e se aderindo de um discurso positivo por parte da opinião pública, "por estarem lutando em prol dos trabalhadores brasileiros", além de semearem aquele discurso antigo e que de fato é forte mediante a nossa fragilidade política, social e econômica, de que faz-se necessária a luta nas ruas por parte da população brasileira para impedir e derrubar o atual governo peemedebista e suas reformas.


Outro fator que me relevou considerações é ainda em cima dessa "convocação ideológica trabalhista", isto é, a tentativa de sempre levantar as pautas em prol das classes oprimidas por meio desses "pseudos-protestos", mas a questão que surge nisto tudo é por que se levanta tantas pautas sobre lutas, sobre greves e paralisações gerais, etc... se após estes mesmos "pseudos-protestos" é nítido que nenhuma mudança fora feita? Se o trabalhador sofrerá ainda mais, pois não teve protesto de algum; não teve luta alguma, pois o trabalhador sim arcará com as consequências, porque a cada novo "pseudo-protesto" a rotina do trabalhador brasileiro é cortada: O trabalhador perderá o horário normal do trabalho; sairá de casa cedo correndo ainda mais riscos de vida e receberá chamadas pelo atraso no dia de trabalho.

De fato onde está a efetivação desses discursos de "luta" diariamente? Dessas classes que tanto pregam defender o trabalhador, quando muitos deles (me refiro ao "alto escalão" dos sindicatos e partidos políticos) não estão "na luta diária" ou sob palavras de uma entrevistadora, não estão "na guerra do dia-a-dia". Porque pelo que sei é muito fácil levantar e "tomar" uma pauta para si quando não vivo e sinto diariamente aquilo que estou erguendo. É muito fácil falar de um trabalhador assalariado e o quanto que ele precisa ter aumentos de salários e diminuição da carga horária; quanto que precisa-se baixar as passagens dos transportes públicos e oferecer melhores condições; quanto que precisa aquilo e mais aquilo... Mais difícil mesmo é deixar de só falar e viver tudo isto!


Entrevistando uma mulher de 45 anos, que exerce a função de auxiliar administrativa numa logística na cidade do Paulista aqui em Pernambuco, eu a perguntei:



João Vítor Melo:


- O que a senhora acha dos protestos?


A senhora:


- "Eu acho certo algumas coisas que são lutadas. Tipo esse presidente mesmo, Temer, ele é um corrupto e deveria ser preso. Vê o que ele está fazendo com a gente: Reforma Trabalhista, a reforma lá das escolas e agora Reforma da Previdência", isso é pra acabar conosco!"


João Vítor Melo:


- Se a senhora pudesse participaria de algum protesto como esse?


A senhora:


- "Eu ia sim, mas como vai? Se eu for o patrão desconta e se ele descontar do meu salário, como vou pagar minhas contas? E outra meu filho, adianta de que ir a esses protestos se o povo aí que organiza os sindicatos não tão nem aí para nós, não querem saber da nossa "guerra do dia-a-dia". Não homem, eles (sindicatos) querem ganhar nosso dinheiro quando pagamos os sindicatos, dar uns trocados pra esse pessoal aí que vai pras ruas gritar: "Fora Temer", e depois que o protesto acaba tudo volta ao normal, a gente trabalha e "se lasca" de trabalhar."

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